EU
Bom, sensível, amigável. É assim que muitos me definem. Mas eu realmente sou assim?
Eu nem sempre fui assim. Eu o tinha comigo...
Ele brincava muito comigo quando eu estava só, ele me ajudou a me entender, me protegeu, me ensinou a me defender. Mas aos poucos eu fui vendo que com ele, eu estava ficando... Diferente.
Eu estava me tornando ele, estava sendo mais e mais. Ruim.
Então tomei a decisão que eu acho certa! Eu o afastei! Escondi ele dentro de mim, Lá no fundo, trancado.
Todo aquele ódio, raiva, aquela malícia que ele tem... Faz mal sentir muito disso, mas ele não se importa. Ele usa isso como arma e escudo.
Ainda eu consigo sentir respingos dele em mim. Às vezes tenho que me controlar muito para não tomar atitudes que ele tomaria.
E cada vez é mais difícil segurar ele dentro de mim. Porque alguns insistem em me provocar? Em me lembrar de coisas que não quero? Será que mesmo aqueles que conhecem meu outro eu não tem medo? E os danos que ele pode causar?
Então eu continuo o prendendo, ouvindo seus sussurros sombrios, sendo atormentado, por mim mesmo, dentro de mim.
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ELE
Acha que estou mesmo dormindo? Esquecido ou mesmo acorrentando?
Errado.
Eu sou parte de você, assim como você é parte de mim. Mesmo que seja uma parte fraca a qual eu sempre tenho que cuidar e proteger.
Seria tão fácil se me chamasse de novo. Ninguém se machucou seriamente, tu sabes disso.
Não gosta que eu seja o seu algoz? Aquele que te vinga? Aquele que te protege?
Afinal, eu não sou apenas tu?
Eu não entendo como tu podes ter medo da minha força, eu tiro ela das coisas ruins que aconteceram contigo. Eu sempre estive presente, em todos os teus momentos ruins, quem você acha que te ajudava a levantar?
Eu sei que tu precisas de mim, ainda mais agora. Tu estas fraco, desprotegido. Deixe-me de novo ser sua espada!
Vamos, tu lembra como me chamar, coloque a tua mão sobre seus olhos, assim mesmo. Lembra do meu nome não? Agora me chame. Não tenha medo, eu sou você afinal de contas.
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