domingo, 3 de julho de 2011

Surdo

Barulho.

Devagar eu retiro meus fones, a música pesada e com frases sem nexo deixa meus ouvidos livres... Para o barulho do mundo.

Gritos, vozes, sussurros.

É fácil me isolar, simplesmente os coloco de novo. Esses malditos fones. Que me cortam desse mundo.

Frases repetindo em minha cabeça, melodias que tocam meu coração.

Talvez sem ouvir o que os outros dizem seja melhor! Eu não quero mais nada no meu mundo, somente eu é o bastante. Já tenho coisas demais para pensar... E mesmo assim, mesmo estando saturado, cansado e irritado eu nunca deixaria alguém na mão. Por isso que mereço esses momentos.

Sozinho em um mundo, onde não tem vozes. Onde eu ouço palavras de línguas desconhecidas, melodias que tocam lá no fundo do meu coração. Algumas me fazem querer gritar e levantar com uma energia que nem sei de onde tiro. Outras me jogam em um poço, me obrigando a ver tudo que não gosto.

Mas pelo menos é melhor que ouvir o barulho de fora.

Aqueles pessoas felizes mostrando tudo de bom que tem como se fossem prêmios!

Pessoas tristes que desejam ser escutadas e ajudadas.

Os que só têm frases maliciosas para falar sobre os outros.


Não se engane eu amo tudo isso. Mas muitas vezes só quero colocar esses fones e sumir entre essas músicas, e ficar surdo. Para o resto do mundo.

sábado, 2 de julho de 2011

Mudo


Sem palavras, sem voz. Vivendo sem se expressar.

Deixando todos falarem por mim, mesmo eu querendo contestar, da minha boca não sai som.

Qualquer um pode falar por mim, pode contar comigo. Por que mesmo que eu queira negar, não sei como. Não tenho como. Eu não falo.

Sem falar, é muito fácil, viver como um boneco. Seguindo ordens. Um bom soldado.

Claro que eu gostaria de reclamar, gritar, brigar... Mas é tão difícil abrir a boca para falar, depois desse tempo todo. Como um boneco passado de mão em mão. É isso mesmo que eu sou?

Vazio, boneco, sem forma?

Se pelo menos eu ainda soubesse falar, eu não me sentiria tão... Inútil.

Claro que isso é culpa minha, sempre foi.

Eu deixei me abalar, deixei que outros colocassem as palavras em mim. Era tão fácil, sem brigas, somente um lindo consentimento. E um sentimento que crescia cada vez mais dentro de mim devagar. Talvez ele se chamasse vazio, ou mesmo algo ainda não descoberto.

Assim eu deixei de falar, costurei minha boca para não gritar.

E me transformei em um boneco, caído no canto de seu quarto, sem vida, sem vontade.